O prazer de trabalhar com atendimento ao público

Quem atende ao público está sujeito a deparar-se com os mais diversos tipos de gente: simpáticos , emburrados, negativos, loucos... Hoje chegou um cliente meio estranho, entrou gritando em bom e alto som que tiraram o dinheiro da conta dele. “Senhor tenha calma, em que posso ajudá-lo?”. Quanto mais calma e simpática procurava demonstrar, mas o louco gritava. “Senhor! Para poder ajudá-lo é preciso que o senhor “fa-le” o que aconteceu, gritando eu não poderei ajudá-lo.”  Fui salva pelo gongo, digo telefone, o bendito telefone que sempre toca na hora errada desta vez tocou na hora certa. “Dá licença senhor, vou dispensar a pessoa do telefone para atendê-lo melhor”, ele continuava a gritar e todo mundo a olhar. Com o fone no ouvido pedi para o cliente maluco falar mais baixo, pois eu não estava conseguindo ouvir o que a pessoa do outro lado falava. O doido disse para eu mandar a pessoa falar mais alto, mas o que ele não sabia era que não tinha mais ninguém do outro lado da linha e eu aproveitei a situação para dar uma canceira no desgraçado, fiquei fazendo de conta que estava falando com outro cliente até o bicho se acalmar, e não é que deu certo! Com a fera domada, pude descobrir que ele queria simplesmente o extrato da conta de alguns meses atrás.
As minhas estatísticas pessoais dizem que tirando os loucos como o citado acima, os clientes que chegam reclamando da fila são aqueles que mais atraem problemas. É impressionante o que a energia que envolve cada ser humano é capaz de gerar, para os chatos o sistema sempre trava na sua vez, ou outra coisa qualquer acontece. Semana passada enviei  3 solicitações de clientes que chegaram no mesmo dia, porém um deles já chegou muito impaciente e falava a todo momento que tinha muito o que fazer e não poderia esperar muito. Acreditem! Só a resposta do impaciente não chegou naquele mesmo dia (hehehe). Alguém que por acaso já trocou de fila num supermercado percebeu que a fila menor sempre acaba demorando mais?
Tem atendimentos bem emocionantes, há uns meses atrás uma cliente com 2 crianças ficou aguardando  pacientemente a sua vez. A senha era a 23 e quando chamei, ela começou: “Moça queria pegar um empréstimo...”.  Fiz as perguntas básicas: onde trabalha, já tem conta, quanto gostaria de pegar, etc... Para minha surpresa a resposta foi de que não trabalhava, não tinha conta e queria R$ 40,00 para marido dela. Ainda sem entender, perguntei se queria um empréstimo com prestação de R$ 40,00 e expliquei que o esposo teria que apresentar os comprovantes de rendimentos. “ Não moça, meu marido está desempregado e eu quero é R$ 40,00 mesmo, é para pagar a parcela de uma cesta básica que compramos no mês passado, porque  se a gente não pagar pelo menos uma parcela o moço que vendeu fiado não vende mais e meus filhos vão ficar com fome.” Quando olhei bem para os olhos daquela criatura magérrima com seus filhos raquíticos, me partiu o coração. Ela com as mãos trêmulas, segurando sua identidade e seu cartão do bolsa família como se aquilo fosse uma grande tesouro (no momento achei que ela provavelmente pagaria a outra parcela com o bolsa família). “Por favor, empreste-me sua identidade para eu tirar cópia”. Entrei silenciosamente e com olhos molhados peguei o dinheiro na minha bolsa enrolando em um pedaço de papel juntei a Identidade e entreguei para a senhora  pedindo que ela só abrisse quando saísse da agência. Pronto, agora foi ela que não entendeu o que estava se passando: “e o empréstimo moça? “ eu não vou assinar nada não?”, “quando eu tenho que pagar, “eu pago no final do mês quando receber o bolsa família”. Eu disse: “senhora o dinheiro está ai”, dei uma piscadinha meio chorosa, ela apertou minha mão me agradeceu e nunca mais a vi.
Sabem amigas demorei muito para contar isso, pois até pouco tempo atrás tinha vergonha, nem sei se a palavra é mesmo vergonha, acho que receava  que me chamassem de idiota, pois poderiam dizer que aquela senhora era mais uma trambiqueira. Sinceramente! Trambiqueira ou não, o importante é que eu me senti muitíssimo bem.

2 comentários:

  1. Fatinha, vc me fez chorar.... De novo!!! kkkk Vc fez muito bem. Se estava sendo enganada, pior pra ela. Vc fez sua parte... Bjss

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